Produzido pela equipe do Projeto Design Solidário, o Desfile de Moda Afrocentrada realizado nesta quinta-feira (14), no Centro de Convenções Oscar Niemeyer, marcou o último dia da II Semana da Consciência Negra, programação do Novembro Negro da UENF. O evento foi organizado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense e o Coletivo Negro José do Patrocinio UENF, e contou com a parceria da ITEP/UENF.
O Projeto Moda Afrocentrada é um curso de formação surgido em 2023, e teve até os dias atuais mais de 160 horas de técnicas e história da moda para jovens negros.
Alunos do curso de Moda Afrocentrada e integrantes do Design Solidário, projeto de extensão da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares, confeccionaram as roupas e adereços para a exibição dos modelos no desfile que mostrou toda a potência africana ao público.
Alunos do curso de Moda Afrocentrada e integrantes do Design Solidário, projeto de extensão da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares, confeccionaram as roupas e adereços para a exibição dos modelos no desfile que mostrou toda a potência africana ao público.
Os bolsistas da ITEP que confeccionaram as roupas para o desfile foram:
- Angelita Carvalho – Professora de costura no Ateliê Solidário
- Bárbara de Sá – Integrante do Design Solidário
- Célia Teixeira – Designer de Moda no Ateliê Solidário
- Felipe Monda – Designer de Moda e coordenador do Design Solidário
- Stefani Rangel – Artesã no Ateliê Solidário
O evento teve início com um vídeo de abertura que ilustrou os tecidos Ankara, nascidos na África Ocidental que tem a característica de ser uma estampa versátil pelas marcas coloridas e intrincadas, sem contar o simbolismo, beleza e história cultural.
Imagens dos tecidos Adinkra e Kente também foram exibidos para os presentes.
Originária da cultura Akan, na África Ocidental, os tecidos Adinkra são compostos por símbolos geométricos abstratos que transmitem mensagens de sabedoria, força e beleza. A estampa Kente, procedente de Gana, é relacionada a figuras míticas ou aspectos da natureza que envolvem a tecelagem manual, além do uso de tintas naturais.
O apresentador da J3News TV, Valdemy Braga conduziu o desfile no Centro de Convenções Oscar Niemeyer. Os modelos realçaram a beleza afro com adereços típicos do continente como turbantes e argolas, além de referências relacionadas às religiões de matrizes africanas como a representação da Iansã, divindade guerreira que traz coragem e proteção em momentos adversos, cultuada no candomblé e umbanda.
O desfile contou com 5 estilistas e 17 modelos (com 13 mulheres e 4 homens, entre eles um nigeriano), desenvolvido em treze atos durante aproximadamente uma hora de apresentação. Cinco maquiadores/cabeleireiros participaram do evento. Também foram distribuídos 107 abayomis.
A palavra abayomi é de origem iorubá que significa encontro precioso. Constitui em uma boneca negra, com a intenção de trazer felicidade ou alegria. É um instrumento de conscientização e sociabilização.
A professora de costura no Ateliê Solidário, Angelita Carvalho contou sobre a emoção de presenciar o desfile “Tivemos desenvoltura e presença de palco, cultuar a ancestralidade da religiosidade africana é muito importante. Sinto realizada pela bela apresentação que fizemos”, pontuou a costureira.
No encerramento do desfile, todos os modelos foram aclamados pelo público. A Pró-Reitora de Extensão da UENF, Deborah Guerra Barroso também prestigiou o evento.
A ITEP/UENF acredita na profissionalização de jovens negros para o mercado de moda afro e em pouco tempo, ter a oportunidade de criar futuros agentes e disseminadores de cultura popular.